Google+ Followers

domingo, 7 de abril de 2013

Os prefeitos do Rio de Janeiro homenageados com monumentos públicos.


O Rio de Janeiro já teve 61 prefeitos – incluindo interventores federais, intendentes e governadores do Estado da Guanabara –, mas somente dez deles foram homenageados com monumentos no espaço público da cidade. 



O primeiro a receber esse tipo de honraria foi Francisco Pereira Passos, que ocupou a prefeitura entre 1902 e 1906. O busto feito em sua homenagem foi inaugurado em 5 de novembro de 1914, oito meses após a sua morte. Sabe-se que o monumento foi inaugurado em frente ao antigo Palácio da Prefeitura, no Centro, tendo sido transferido em 1940 para a Praia de Botafogo, em virtude da demolição do antigo prédio para a abertura da Avenida Presidente Vargas. Sua construção foi uma iniciativa dos funcionários da municipalidade, que compareceram em peso a sua inauguração. O busto foi oficialmente inaugurado por um aluno do Instituto Orsina da Fonseca.

 foto do Diario de Notícias 1946 em Boatafogo


Trata-se de uma obra de Rodolfo Bernardelli, assentada num pedestal de granito com três metros de altura, onde a figura do prefeito está diante de uma planta de remodelação da cidade. Nas costas das figuras, está gravada no bronze a movimentação de uma pessoa trabalhando.







Provavelmente, foram as obras na Praia de Botafogo para a construção do viaduto Santiago Dantas, na década de 1960, que levaram o monumento para a Praça Pio X, no entroncamento da Avenida Presidente Vargas com a Avenida Rio Branco, via pública que é um marco da remodelação urbanística promovida por Pereira Passos no Rio de Janeiro, grande feito de sua administração.

Pereira Passos foi o 16º prefeito da cidade. Era engenheiro e foi nomeado ao cargo pelo presidente Rodrigues Alves. Inspirado nas reformas feitas por Georges-Eugène Haussmann em Paris, Pereira Passos levou 4 anos para mudar a aparência do Rio de Janeiro, transformando muitas de suas ruas estreitas e escuras em bulevares com edifícios imponentes, novidades bem-vindas para a capital federal.

A Serzedelo Correia, o 18º prefeito da cidade, cabe a segunda história. A praça que hoje leva seu nome, em Copacabana, chamava-se inicialmente Malvino Reis, em homenagem ao diretor da companhia que, em 1893, destinou o espaço para a estação de bondes. Naquela época, a área não passava de um areal com vegetação de restinga.


Em 1910, na gestão do prefeito Serzedelo Correia, a praça recebeu melhorias e passou a abrigar o chafariz das Saracuras, antes localizado no pátio do Convento da Ajuda, que havia sido demolido. Porém, não existe informação de que a praça tenha recebido o monumento em homenagem ao prefeito ainda durante sua gestão, apesar de constar nas inscrições do pedestal que sua inauguração tenha sido em 6 de novembro de 1910. O mandato do administrador terminou dez dias depois dessa data, tendo se iniciado em 1909.

Há informações de que, em 1917, o chafariz foi transferido para a Praça General Osório, em Ipanema. Na ocasião, a antiga Praça Malvino Reis passou a se chamar, por decreto, Praça Serzedelo Correia. Provavelmente, foi nesse período que o monumento foi instalado no local.

Serzedelo Corriea foi nomeado prefeito pelo presidente Nilo Peçanha, tendo sido ministro em diversas pastas (Agricultura, Interior, Justiça e Instrução Pública). Em sua gestão como prefeito, deu ênfase ao ensino público.




Paulo de Frontin foi o terceiro prefeito homenageado no Rio de Janeiro, apesar de seu curtíssimo mandato de apenas seis meses (de 23 de janeiro a 29 de julho de 1919). O reconhecimento se deu devido a sua dedicação como engenheiro, principalmente pelo empreendimento que ficou conhecido como o “Episódio da água em seis dias” e pela sua atuação durante a gestão do prefeito Pereira Passos. Por todos os seus feitos, ele foi agraciado pelo papa Pio X com o título de Conde de Frontin, em 1909, e é hoje o Patrono da Engenheira Brasileira.


O monumento a Paulo de Frontin, situado na Praça Marechal Floriano, Cinelândia, foi realizado por Ugo Taddey, por iniciativa de seus amigos e admiradores. A homenagem se deu no dia 17 de setembro de 1925, data do aniversário de 65 anos de Frontin, a fim de tornar o ato não apenas uma cerimônia oficial, mas uma consagração popular com a sua presença.




O quarto prefeito homenageado foi Henrique Dodsworth, interventor da cidade, então Distrito Federal, nomeado por Getúlio Vargas, tendo administrado o Rio de Janeiro por 8 anos consecutivos, de 11 de novembro de 1937 a 3 de novembro de 1945. Sua gestão foi marcada por grandes obras públicas, como a urbanização da esplanada do Castelo e a abertura da Avenida Presidente Vargas.  A inauguração do monumento em sua homenagem ocorreu ainda sob sua gestão, no dia 3 de outubro de 1945, um mês antes do fim de seu mandato, na Praça Professor Camisão, em Jacarepaguá, conhecida como Largo da Freguesia. A obra é do escultor Honório Peçanha. 


Em 1946, foi a vez de homenagear Adolfo Bergamine, no ano seguinte ao seu falecimento. Ele foi interventor no Rio de Janeiro entre 24 de outubro de 1930 e 21 de setembro de 1931, totalizando 11 meses à frente da administração da cidade.

O monumento a Adolfo Bergamine  foi instalado no jardim do extinto Palacio Monroe, onde permanece até hoje,  de frente para o chafariz Monumental, próximo à Cinelândia, no Centro. A obra, criada por Leão Veloso, tem a seguinte inscrição em sua placa: “Adolfo Bergamini, defensor do Direito, da Liberdade e da Democracia”.





Em 1952, foi inaugurada outra homenagem a um prefeito do Rio de Janeiro. Desta vez, a honra coube a Pedro Ernesto, que geriu a cidade entre 30 de setembro de 1931 e 2 de outubro de 1934, voltando ao cargo de 7 de abril de 1935 a 4 de abril de 1936. O monumento ganhou o espaço público quando se completavam dez anos de seu falecimento, tendo sido inaugurado em 1950, em frente ao hospital universitário que recebeu seu nome, na Avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel.


O monumento a Pedro Ernesto foi uma iniciativa da Sociedade Beneficente dos Engenheiros Municipais, executado por Beneveluto Berna para lembrar o prefeito cujo governo foi marcado pela atenção especial que dedicou à saúde e à educação.

           



O prefeito Alim Pedro recebeu sua homenagem em 1958, três anos após o fim de seu mandato, que foi de 4 de setembro de 1954 a 14 de novembro de 1955. O monumento que o eterniza está no bairro de Campo Grande, na praça que leva seu nome. A obra é um obelisco criado pelo artista plástico Miguel Pastor, em honra ao ilustre morador do bairro, cuja administração concluiu a primeira etapa das obras de construção da adutora do Guandu e criou a estação Castelo de transportes urbanos.






O prefeito Marcos Tamoyo foi homenageado em 1981, pela artista plástica Flory Gama, no parque de esculturas da Catacumba, implantado por ele no ano de 1979, dois anos antes de sua morte. Flory havia contribuído com uma obra de arte na implantação do parque. O busto do prefeito foi instalado na entrada do local, que passou a se chamar Parque Marcos Tamoyo.



Engenheiro, Tamoyo foi nomeado prefeito pelo governador Faria Lima, tendo ocupado o cargo de 15 de março de 1975 a 16 de março de 1979.



No ano de 2012, por iniciativa da secretaria de Conservação da prefeitura, foram inaugurados dois monumentos aos prefeitos Honório Gurgel e Bento Ribeiro, ambos esculpidos pela artista plástica Christina Motta, com base em fotografias antigas e patrocínio da empresa de telecomunicações GVT.



O monumento a Honório Gurgel tinha a intenção de homenagear o patrono dos bairros do subúrbio do Rio de Janeiro, num resgate de sua memória. Assim, no dia 20 de julho de 2012, foi inaugurado o busto do antigo prefeito na Praça Othon Almeido, no bairro que leva o nome do homenageado, na Zona Norte da cidade. Nascido em Irajá, Gurgel administrou o Rio entre 5 de maio de 1898 e 23 de maio de 1899. Faleceu em 1920 e foi sepultado no cemitério de seu bairro natal.




Já a homenagem ao prefeito Bento Ribeiro aconteceu no dia 14 de outubro de 2012.  Seu monumento foi instalado na Praça Managua, a de maior concentração dos moradores do bairro que leva seu nome. O 19º prefeito do Rio de Janeiro foi comandante da Escola Militar de Realengo e, posteriormente, do Estado Maior do Exército. Sua administração municipal começou em 16 de novembro de 1910 e terminou em 16 de novembro de 1914.



Ambas homenagens foram realizadas pela artista plástica Christina Motta, com patrocinio da empresa de telecomunicações GVT atraves de fotografias.