terça-feira, 30 de setembro de 2014

Azevedo Neto, o paisagista da Cidade

Ao completar 100 anos no mês passado (Agosto/2014), o bairro do Grajaú ganhou de presente a transformação de parte de suas ruas em Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC). A medida protege as características arquitetônicas e paisagísticas da área delimitada, além de promover o tombamento de ícones do bairro como a Igrea Nossa Senhora Perpétuo Socorro, a Capelinha da rua Grajaú, a Escola Municipal Duque de Caxias, o Batalhão do Corpo de Bombeiros da rua Marechal Jofre e a Praça Edmundo Rego. 

Este post trata da Praça, ou melhor, do paisagista que projetou a Praça Edmundo Rego e muitas outras áreas de lazer importantes em nossa Cidade entre os anos de 1930 a 1950.

José da Silva Azevedo Neto nasceu no Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1908.
Arquiteto e urbanista, era funcionário público   por quase duas décadas (1936 a 1950), da então Diretoria de Trabalhos, Matas e Jardins hoje Fundação Parques e Jardins. Nesta instituição projetou as mais importantes praças da época e grandes áreas verdes da cidade, como o Jardim de Alah, as Praças Saens Peña, Antero de Quental, Cardeal Arcoverde e Edmundo Rego, entre outras.


Boa parte de seus projetos já não guardam mais traçados ou elementos originais em virtude de sucessivas intervenções, efetuadas sem que houvesse o devido cuidado com características hoje reconhecidas e valorizadas pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico cultural carioca.

Azevedo Neto faleceu em 1962 e, em 2006, por ocasião da realização da II Mostra Internacional Rio Arquitetura-MIRA, a Prefeitura do Rio, por meio da Fundação Parques e Jardins,  juntamente com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RJ) promoveram a exposição "Memória do Paisagismo Carioca - Arquiteto Azevedo Neto 1930/1950. 
A mostra teve como curadora Claudia Brack, além de Júlio Cherém e Ronaldo Benevello arquitetos da FPJ, responsáveis pela pesquisa nos arquivos municipais e pelo resgate, junto à família do paisagista de projetos,além das plantas dos arquivos da FPJ e outros documentos que retratam a obra de Azevedo Neto e as transformações que a Cidade sofreu na primeira metade do século XX.


                           


Neste post, algumas plantas e fotos encontradas na internet nos conduzem através do tempo pela cidade e algumas das obras mais significativas do paisagista.  A começar pela Praça Edmundo Rego, claro!

Praça Edmundo Rego 



Um dos primeiros projetos de Azevedo Neto, a praça foi inaugurada em fevereiro de 1935, no centro do bairro do Grajaú. De contorno circular, praça contava com um coreto central, dois chafarizes circulares e dois pergolados de concreto, com cinco pilares de cada lado.

inauguração da praça

          
                 projeto da praça                                        marco da inauguração

 1957

 1960

Nas transformações que ocorreram na praça, o primeiro elemento original a ser demolido foi o coreto de concreto, fonte de reclamações em função do abandono da construção que incluía um bar no primeiro piso.

No início dos anos 90, foi a vez dos chafarizes, que desativados, foram aterrados para a implantação de jardins em suas bacias. Contudo, em 1998 a Prefeitura optou por recuperar os dois chafarizes que voltaram a funcionar normalmente. 




Em 2002, uma nova reforma cobriu o piso de granito e blocos de concreto, demoliu e aterrou os chafarizes, mas manteve parte dos canteiros e os pergolados originais do projeto de Azevedo Neto, tombados provisoriamente, pelo recente Decreto n° 39102 de 19 de agosto de 2014.

 



Jardim de Alah


O traçado projetado para o Jardim de Alah concebido por Azevedo Neto baseou-se no modelo francês, de inspiração romântica e contemplativa, com canteiros harmoniosos, repartidos e preenchidos por esculturas, lagos e caramanchões.
A proposta, muito mais que o paisagismo para um jardim ou a urbanização de uma área de restinga na verdade, concluía o projeto do Prefeito Carlos Sampaio, de urbanização do canal destinado a renovar as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, tornando-as mais salubres além de reduzir a frequência de enchentes na região.

As obras foram concluídas em 1922 e o canal guarda ainda a pedra inaugural junto à pequena escada de acesso, próximo à Avenida Vieira Souto, onde estão registrados os nomes do Presidente Epitácio Pessoa, do Prefeito Carlos Sampaio e do engenheiro Saturnino de Brito.







Em 1936 a construção de uma segunda ponte sobre o canal do Jardim de Alah, entre as avenidas Visconde de Pirajá e Ataulfo de Paiva, permitiu a implantação total do projeto, inaugurado em 1938. O projeto, de forte potencial turístico, previa a navegação no canal por gôndolas em passeios até a Lagoa e para isso, deques para embarque e desembarque de pessoas.

                            

 


Em 2003, na administração do Prefeito Cesar Maia, o Jardim de Alah foi totalmente reformado pela Prefeitura do Rio. Sua reinauguração, em 20 de dezembro, contemplou a recuperação dos pergolados e treliças de madeira, cuidados e replantio de árvores, principalmente algodoeiros da praia. Os lagos foram reduzidos e recobertos por seixos rolados, as topiarias e folhagens de contorno suprimidas, priorizando as áreas gramadas.
A escultura "Proteção", de Hipollyte Peyrol, original da Praia de Botafogo e transferida por ocasião da inauguração do Jardim em 1937, bem como a obra " A Mulher e o Felino" foram preservadas no lugar.







 

Praça Antero de Quental

A praça foi inaugurada em 3 de julho de 1942. O investimento, à época, correspondeu a CR$ 219 500,00 (duzentos e dezenove mil e quinhentos cruzeiros).
De caráter contemplativo, o projeto de Azevedo Neto para o local incluía dois lagos e pérgolas de colunas em concreto revestidas e cobertas por madeira. De traçado regular, a praça possuía no centro um lago cercado por canteiros e alamedas em saibro que contornavam todo o perímetro da praça. Os pergolados uniam as alamedas entre os canteiros ajardinados.



anos 60






Em 1962 a praça passou pela primeira obra de reforma destinada à implantação de uma área para recreação infantil. Além do playground, com balanços, escorregas e gangorras, as calçadas do entorno foram pavimentadas mas o traçado geométrico foi mantido.



Com a execução do Projeto Rio Cidade,  em 1996, Praça Antero de Quental foi totalmente reformada, segundo projeto do arquiteto Luiz Eduardo Indio da Costa e do paisagista Fernando Chacel, que procurou manter o uso familiar e recreativo do espaço. Novos canteiros passaram a embelezar o entorno da praça e foram mantidas as áreas destinadas às crianças e à livre circulação. Junto à Avenida Athaulfo de Paiva foi construída uma grande pérgola em chapa metálica, lembrando um pórtico de entrada.









Praça Cardeal Arcoverde
Inaugurada em 22 de novembro de 1947 pelo Prefeito Mendes de Moraes, a praça apresentava um traçado orgânico, repletos de curvas e linhas sinuosas com um laguinho de plantas aquáticas no centro. Pequenas pontes com guarda corpo de ferro cruzavam o lago.


 Lago em 1965 foto cedida por Stela Elliot



Nos anos 60 a praça perdeu parte de sua área.  Na ocasião, o projeto original de Azevedo Neto foi aniquilado, dando lugar a uma nova concepção de formas retilíneas.

Em 1987, a praça foi fechada para expansão do Metrô e reaberta em 1994, com nova ordenação em função da estação ali instalada.


  




Praça General Osório

O primeiro ajardinamento da praça aconteceu em 1909 mas, em 1911 uma remodelação propiciou a implantação do Chafariz das Saracuras, oriundo da demolição do Convento da Ajuda.

foto Malta


Em 8 de maio de 1948 a praça foi reinaugurada pelo Prefeito Mendes de Moraes, com projeto de Azevedo Neto, que dotava a área com dois lagos de formas sinuosas nas extremidades da praça e mantinha, ao centro, o Chafariz das Saracuras como ornamento, porém seco, sem jorro de água. Extensos jardins contornavam a área com bancos de concreto ao redor. 

 anos 40

 1983


Em 1970 uma reforma na pavimentação da praça substituiu o saibro e as placas de concreto por pedras portuguesas nas áreas central e circundante.   E, em mais uma intervenção, em 1987, a praça perdeu os lagos laterais, mas ganhou um novo entorno para o chafariz que desde então voltou a verter água, como no Convento da Ajuda.
Contudo, logo depois, parte da praça foi cercada com tapumes para servir de depósito de material para a futura estação do Metrô. Com o atraso e a paralisação das obras, em 1994 a praça foi reaberta e passou por nova reforma em 2001 que instalou grades no seu entorno, recuperou os jardins e o funcionamento do chafariz.

Mais tarde, as obras do Metrô foram retomadas a estação da Praça Gal Osório inaugurada em 2009.



Praça Saens Pena



O ajardinamento da Praça Saens Pena data de 1910, durante a administração do Prefeito Bento Ribeiro. O projeto de Azevedo Neto para o local foi implantado em 1947 com inauguração em 22 de novembro na administração do Prefeito Mendes de Moraes.  Executado pela firma L. Quattroni, a proposta contemplava o espaço com um lago de concreto com repuxos e um jato, canteiros e piso de pedra portuguesa decorada, além de garantir a permanência do coreto.




 anos 60

Em 1977, com a implantação do Metrô, a Praça Saens Peña passou por uma grande intervenção que, entre outras mudanças, removeu o coreto transferindo-o para do para a Praça Catolé do Rocha, em Vigário Geral.

Somente em 1982 a praça reformada foi reinaugurada junto com a estação do Metrô, mas com canteiros alterados e a construção de grandes caixas para a ventilação da estação subterrânea. Do projeto original de Azevedo Neto, apenas o chafariz com o seu jorro, permanece no local.

 1982



Praça Nobel

Construída em 1940, a Praça Nobel é outro importante projeto de Azevedo Neto. De traçado retilíneo e canteiros centrais, a praça predominantemente contemplativa apresentava como elemento decorativo um belo pergolado revestido de pedra no trecho lateral, aproveitando a elevação do terreno. 
Apesar das transformações sofridas nos últimos anos para implantação de equipamentos voltados para novos usos, o pergolado de outrora sobrevive como um pequeno recanto contemplativo do projeto original.








Avenida Edson Passos


A implantação de pequenos recantos ajardinados ao longo da Av. Edson Passos, executados pela Sociedade Brasileira de Urbanismo, ocorreu por volta de 1941 tendo custado à época, a importância de CR$ 59 800,00 (cinquenta e nove mil e oitocentos  mil cruzeiros.  O plantio, iniciado de 25 de julho de 1942 e concluído em 24 de janeiro de 1943, coube ao Departamento de Parques da Prefeitura, hoje Fundação Parques e Jardins

Dentre os muitos jardins criados pelo paisagista, os do Alto da Boa Vista são que se mantém mais íntegros, com destaque para os lagos e as obras de arte que os integram.




 

 



 1947


 1957



Avenida Vieira Souto e Delfim Moreira

Nos anos 40, por iniciativa do prefeito Mendes de Moraes, o projeto criado por de Azevedo Neto, foi implantado ao longo das avenidas, recuperando a vegetação de restinga. A proposta incluía o plantio de coqueiros e alguns quiosques de sapê. Além de embelezar, o tratamento paisagístico da margem de areia da praia, tinha como objetivo diminuir o carreamento de areia para as avenidas.

 Foto Gilberto Negreiros


Praça Piaçava

A praça ficava situada nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Fonte da Saudade. Construída na década de 40 (1940-49) acabou desaparecendo com as obras para o acesso ao Túnel Rebouças.







  




domingo, 3 de agosto de 2014

A presença das Fundições Francesas do Val D'Osne na Cidade do Rio de Janeiro e o tombamento de suas peças.

 Um dos conjuntos mais importantes de nossa Cidade são as obras de arte em ferro fundido originárias das Fundições do Val D' Osne.


Espalhadas e expostas durante anos por vários pontos da Cidade, inclusive em propriedades particulares, este importante acervo só foi identificado e catalogado a partir de 1992 por ocasião de um levantamento mundial iniciado pela Association pour la Sauvegard et la Promotion du Patrimoine Metallurgique Haut-Marnais, com objetivo de localizar as peças produzidas pelas Fundições Francesas do Val D’Osne entre os séculos XVIII e XIX.

A partir deste inventário e em reconhecimento ao valor histórico e cultural dessas obras, em outubro de 2000, o Prefeito Luiz Paulo Conde promoveu o tombamento de parte das peças dessa belíssima coleção, a maior existente fora da França.

Para divulgar esse importante patrimônio dos cariocas exposto em praças, prédios públicos e particulares relacionamos abaixo as peças protegidas pelo Decreto Nº 19011 de 5 de outubro de 2000.

Os parques do Centro da Cidade concentram boa parte dessas obras adquiridas por catálogos e trazidas  para capital do Império como ornamentos complementares à paisagem. Ao visitar o Passeio Público, observe por exemplo, o gradil da ponte imitando galhos de árvores, importados por August Glaziou, em 1864.




E o conjunto de estátuas: Primavera, Verão, Outono e Inverno de Mathurin Moreau


Outono Verão


Primavera  Inverno



Esta última, conforme postagem anterior, desfalcou o conjunto por muitos anos. A localização tardia de seu paradeiro (a biblioteca municipal em Santa Tereza) desconhecido até março de 2000, permitiu, após acordo com a Secretaria Municipal de Educação a recomposição grupo escultórico, porém deixou-a fora do decreto de tombamento que já se encontrava em andamento. 

Logo adiante, na Praça do Monroe, Cinelândia, está o Chafariz Monumental do Jardim do Monroe, de Mathurin Moreau.
Esse é o maior chafariz artístico em ferro fundido do Brasil. Foi adquirido em 1878 pelo Imperador D. Pedro II não só por suas dimensões mas, principalmente pela intensa beleza das figuras e ornatos que o compõem.
Foi instalado inicialmente na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, capital do Império. Durante o Governo Carlos Lacerda, em decorrência das obras para a construção da Avenida Perimetral (1962) foi transferido para a Praça da Bandeira, onde permaneceu até 1978, quando foi definitivamente instalado em sua atual localização.

Outro parque que reúne parte do acervo em ferro fundido é o Campo de Santana, onde as peças também foram encomendadas por August Glaziou especialmente para o parque, inaugurado em 1880.


Lá se encontram: 



 4 fontes “Stela” com a Jovem Europa, de Mathurin Moreau.




 os 4 portões monumentais de acesso ao parque.

 E o conjunto de 8 vasos que ornamentam os portões 


 além do chafariz “Sereia”, de Serres 




Obs: O gradil original do Campo de Santana, foi retirado nos idos de 1930 e instalado nos seguintes locais:

Sociedade Hípica Brasileira, Avenida Borges de Medeiros – Lagoa,

Parque Recanto do Trovador - Vila Isabel,


Açude Solidão – alto da Floresta da Tijuca,


Universidade Federal do Rio de Janeiro, Avenida Pasteur, 250 – Urca.



Na Praça Tiradentes estão as estátuas de Mahurin Moreau representativas da Justiça, da Liberdade, da União e da Fidelidade. Este grupo também foi encomendado pelo paisagista Glaziou para compor um conjunto com o Monumento a D. Pedro I e  chegaram ao Brasil em 1863. Entretanto, ao longo dos anos e por razões distintas, estas peças percorreram alguns pontos da cidade:

Durante a reforma da Praça, entre 1949/50, foram transferidas para o Campo de São Cristóvão, onde permaneceram até o início das obras de abertura da Linha Vermelha nos anos 80. Nessa ocasião, foram recolhidas ao depósito da Fundação Parques Jardins, de onde saíram em 1992, para integrar a paisagem do então recém-criado Parque Noronha Santos.

Logo depois, em 1999, uma exposição destinada a valorizar a presença da coleção francesa na Cidade levou o conjunto à Praça N. Sra. da Paz, em Ipanema. Finalmente, com a execução do Projeto Monumenta,  Justiça, Liberdade, União e Fidelidade, retornaram ao seu lugar de origem na Praça Tiradentes.

A Fidelidade      A Justiça


A Liberdade     A União


Na Praça Estado da Guanabara - Largo da Carioca - está a obra de Eugène Louis Lequesne, adquirida para ornamentar o reservatório do Morro do Corte de Cantagalo no início do Século XX. Em 1967, foi doada para a Cidade e instalada na Praça Marechal Floriano. Em 1975, foi transferida devido as obras do Metrô para o local atual.
 


No Parque Noronha Santos junto ao depósito municipal está um belo  chafariz. Instalado originalmente no Largo de Santa Rita, em frente à Igreja de mesmo nome, na Rua Marechal Floriano no início do século XX. Posteriormente, foi transferido para o Campo de São Cristóvão, onde permaneceu até 1986. Em função das obras para implantação da Linha Vermelha, foi então deslocado para o depósito, onde permanece até hoje.


    


Ainda no centro está o Chafariz da Praça Santo Cristo. De autoria de Henri-Frédéric Iselin (1825-1905), provavelmente chegou ao Rio de Janeiro no início do século XX com destino à estação de tratamento de água do bairro de Engenho. Contudo, somente em 1963 foi transferido para área pública, após doação feita à Cidade.  



Saindo do Centro, na Zona Sul, temos na Praça São Salvador, em Laranjeiras, encontra-se obra de autoria de Louis Sauvageau, provavelmente instalada em 1903, quando foi construído um jardim no centro da praça. Do conjunto que compõe o chafariz, somente a escultura feminina é datada de 1862, as demais peças, sem assinatura, foram escolhidas nos catálogos das fundições Val D'Osne e fundidas sob encomenda.


No Largo dos Leões, no Humaitá, temos de Jean Jacques Pradier,  escultura  doada para a Cidade do Rio de Janeiro por volta de 1970, transferida de uma estação de tratamento da CEDAE (Companhia Estadual de Água e Esgoto) para embelezar a praça.




Outro Chafariz de grande porte e beleza está na Praça Paulo de Frontim, no Rio Comprido. Trata-se de obra de Auguste Martin e foi instalado inicialmente, em 1917, na Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel. Em 1963 foi transferido a praça onde está até hoje.   

Na Zona Norte, no Largo da Penha, encontra-se a  escultura de Jules Salmson que representa uma Índia com o braço esquerdo estendido, segurando um peixe e, na mão direita, um abano. Existem relatos de que a peça fora encontrada na Lagoa de Marapendi e, posteriormente, instalada neste Largo.

No Largo da Capela - Estrada do Rio Grande, tem outro implantado em 1923, este  chafariz servia água para a população local e para os animais que ali faziam suas paradas durante as cavalgadas. Obra do artista Mathurin Moreau, tem outra reprodução no parque do Passeio Público no Centro da Cidade. A figura jovem neoclássica masculina representa o outono e faz referência ao deus grego Dionísio (Baco, para os romanos).

Outro  grupo que se destaca na coleção carioca é o de Fontes Wallace, nome em referência ao seu idealizador, o filantropo inglês Ricardo Wallace que doou 100 exemplares da fonte à Cidade de Paris.
Há dois modelos de fontes Wallace criadas pelo escultor Charles Lebourg. A mais conhecida é a peça com quatro cariátides - estatuetas representativas da Bondade, da Simplicidade, da Caridade e da Sobriedade - sustentando uma cúpula ornamentada com escamas de dragão, terminando numa ponteira. Esse modelo é um dos símbolos de Paris e suas miniaturas são vendidas para os turistas e oferecidas as autoridades estrangeiras como lembrança da capital francesa.

O segundo modelo é próprio para mural. Tem cerca de 1,40 (um metro e quarenta centímetros) e forma aproximada de um marco vertical com a parte superior arrendondada. No centro traz a deusa Tétis vertendo água dos lábios em uma pequena bacia semicircular. 

As 3 Fontes Wallace existentes no Rio de Janeiro foram adquiridas pelo Prefeito Pereira Passos. 



A que encontramos no Parque da Cidade, na Gávea, foi instalada no parque em 1996. Provavelmente é originária da Praça Calcultá na Ilha do Governador, conforme fotos abaixo  A informação disponível é que ela foi retirada da praça e transferida para o depósito da prefeitura, onde permaneceu durante anos, até que surgiu a possibilidade de instalá-la em frente ao Museu da Cidade.
 
A que integra a Praça Dom Romualdo, em Santa Cruz, originariamente estava instalada junto ao 2º Regimento de Artilharia de Santa Cruz, em frente ao prédio do atual Batalhão Villagran Cabrita. Não temos registros precisos sobre quando passou a fazer parte da localização atual.
Uma terceira fonte está ambientada no Jardim dos Manacás, em plena Floresta da Tijuca. 




Na Zona Oeste, encontramos na Praça Seca, em Jacarepaguá, a réplica de uma obra da antiguidade que se encontra no Louvre. Pouco se conhece sobre sua história na Cidade, mas evidências indicam que foi instalada inicialmente no Passeio Público e, posteriormente transferida para essa praça. Não há registros, entretanto, sobre os motivos que levaram à mudança de sua localização.


 


Na Praça João Esberard, em Campo Grande, temos uma fonte provavelmente de 1880, quando o bairro ainda era uma área rural. A fonte teria sido instalada atrás da Igreja N. Sra. do Desterro onde se construiu uma caixa d’água para o abastecimento da população. 
Um dado interessante a respeito dessa fonte é que além desta, na Zona Oeste, existem outras 7 (sete) peças no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Chama atenção também, o fato de o conjunto, em geral, de 4 ou 8 peças, nesse caso, estar separado.





O catálogo de peças das Fundições de Val D’Osne apresenta uma variedade enorme de modelos de fontes murais, sem identificação do artista/escultor. Destinavam-se a ornamentar os pontos abastecimento de água em fontes naturais ou provenientes de reservatórios. No Rio de Janeiro temos vários modelos diferentes, além das criadas por Lebourg.
Eis algumas:
Vista Chinesa - Parque Nacional da Tijuca.



Largo do Pedregulho – Benfica



Praça Enzo Osborne - Rio da Prata, Campo Grande



Avenida Edson Passos - conhecida como Bica do Monteiro - Alto da Boa Vista.

Largo da Cascatina - Floresta da Tijuca


No Parque Nacional da Tijuca, no portão do Açude Solidão duas as esculturas da "India" e do "Indio" de Jules Salmson, formam o conjunto.




       


Entre os chafarizes relacionados no decreto de tombamento das peças de ferro fundido, há dois, contudo, que por falta de documentação (desenho ou croqui) foram atribuídos às Fundições Val d' Osne, mas não tiveram suas origens confirmadas até hoje; são o situado na Praça Xavier de Brito, no bairro da Tijuca e o da Praça Nicaragua, em Botafogo.
         





Obras privadas e algumas em prédios públicos também foram relacionadas nesse mesmo decreto:

- No Dispensário São Vicente de Paulo, na Rua Mem de Sá, 27, Centro: As estátuas de São Vicente de Paulo e a de São José, 

- No Hospital Souza Aguiar, Praça da República, 11 – Centro: estátuas de Esculápio e outra de Higa,

- Na procuradoria Geral do Estado, Rua Dom Manuel, 25 - Centro: esculturas representando A Ciência e outra A indústria,

- No Tribunal Regional Eleitoral, Rua Primeiro de Março, 42 - Centro: 4 esculturas representando a Agricultura, a Marinha, a Indústria e o Comércio.
  
- No Centro Cultural José Bonifácio, Rua Pedro Ernesto, 80 - Centro: a  escultura Negra,  2 lampadários e 4 esculturas representativas da Arte, da Ciência, da Indústria e da Navegação.
- Na Rua Sacadura Cabral, 145 m- Centro: a escultura de Hipomenes, 7 Águias e  4 candelabros.


- No Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, Largo do Machado - Catete: 4 esculturas representando a Ciência, a Agricultura, a Arte e a Indústria, além de 6 vasos ornamentais.


- Escola Municipal Rivadávia Corrêa, Avenida Presidente Vargas 1314: uma escultura da representando a Ciência.


- Palácio Itamaraty, Rua Marechal Floriano 196 – Centro, 2  esculturas:  uma de Hipomenes e outra de Atalanta.


- Igreja Nossa Senhora da Candelária - Praça Pio X - Centro:  3 portas em bronze do escultor português Teixeira Lopes, fundidas na França por Captain et Salim, em Haute-Marne.




- Hotel Novo Mundo, Praia do Flamengo 20 - um par de leões, de Henri Mone Alfred Jacquemont.



- Companhia de Pesquisa de recursos Minerais, Avenida Pasteur 404, na Urca: 3 esculturas representando O Crepúsculo, A Aurora e O Negro.


- Sociedade Hípica Brasileira, Avenida Borges de Medeiros, 2448 - Lagoa:  uma escultura de Cavalo.


- Jardim Botânico, Rua Jardim Botânico 1008:  7 fontes Wallace tipo mural e 2 esculturas, A Fonte e A Moça com a Concha.


     

 - Jockey Clube Brasileiro, Rua Jardim Botânico 1003: uma escultura do Cavalo e 2 cabeças de cavalo.

- Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, Estrada Santa Marinha s/nº, Gávea:  uma escultura do Indio e um lampadário.

-Faculdade Souza Marques - Rua do Catete 6: as estátuas de Hipomenes e de Atalanta; 2 mácaras e 4 estátuas servindo de apoio ao corrimão.


- Beneficência Portuguesa, Rua Santo Amaro 80;  3 pares de vasos ornamentais.


- Museu da República - Rua do Catete, 153: o chafariz "O Nascimento de Vênus", a estátua de Cristóvão Colombo; 4 esculturas: representativas do  Crepúsculo, da Aurora, da Leitura e da Escrita e 1 busto da República. Nos jardins 5 outras esculturas: América, Europa, Ásia, África e Oceania; 2 candelabros incompletos; 2 colunas com vasos e finalmente, uma escada fundida por A. Durenne.

Europa América




    

- Museu do Primeiro Reinado Casa da Marquesa de Santos - Avenida Pedro II, 283, 3 pares de vasos ornamentais.


- Escola Municipal Orsina da Fonseca - Rua São Francisco Xavier,95: 2 esculturas,  "A Leitura" e  "A Escrita".


- Tijuca Tênis Clube, Rua Conde de Bonfim, 457 as esculturas " A Aurora" e o "Crepúsculo".

- Colégio Estadual João Alfredo, Avenida Vinte e Oito de Setembro,109 - um chafariz incompleto.

- Quartel do Corpo de Bombeiros, Rua Oito de Dezembro, 456- a escultura  "Verão"

- CEDAE - Avenida Edson Passos, 472, uma fonte do Vaso

- Palácio Laranjeiras, Parque Guinle:  chafariz “Mercúrio” de Jean de Bologne

- Palácio Guanabara, Rua Pinheiro Machado: 1 chafariz "Netuno" de Gabriel Dubroy



- Casa de Saúde Dr. Eiras: Rua Assunção: 1 escutura "Primavera", outra "higia", 1 chafariz e 1 vaso com chafariz

- Palácio da Cidade, Rua São Clemente, 360: 2 vasos ornamentais.

- Por fim, em Belford Roxo, está a escultura "Harmonia", obra cedida pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro ao município vizinho.





Posteriormente ao tombamento foram encontradas  as seguintes peças:  


No ano de 2004 um chafariz foi adquirido pela Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro, em um leiloeiro e instalado no Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola, Rua: Conde de Bonfim, 824 - Tijuca.


E mais recentemente,  em 2006,  foi descoberto um pequeno chafariz no  Asilo São Luiz - Instituição Visconde Ferreira de Almeida, Rua General Gurjão 533, Caju.