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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Os painéis de azulejos e os mosaicos da cidade do Rio de Janeiro


O primeiro trabalho conhecido em mosaico realizado no Rio de Janeiro foi feito em 1852 pela imperatriz Dona Teresa Cristina, no Jardim das Princesas, na Quinta da Boa Vista. A peça se encontra hoje muito danificada, pela depredação de pessoas inescrupulosas e pela ação do tempo.


A imperatriz utilizou quebras de porcelanas no revestimento de bancos, pelo menos 50 anos antes de Gaudí e Josep Maria Jujol. A importância histórica desse trabalho em terras brasileiras, a harmonia, a criatividade, a escolha das peças, dos fragmentos das louças e outros elementos mostram o primor da arte que iríamos seguir.



Foto: http://mosaicosdobrasil.tripod.com/id9.html


http://www.museunacional.ufrj.br/guiaMN/Guia/casa%20do%20imperador/jardim.htm

Vários são os painéis de azulejos em exposição ao público nas edificações da cidade. Apesar de pertencerem a instituições, as obras de Cândido Portinari não poderiam ser excluídas deste texto, devido à sua importância: o painel do Edifício Gustavo Capanema (na Rua da Imprensa, 16, Centro) e o existente na Escola Municipal do Conjunto Pedregulho (no bairro de São Cristóvão). 



No Parque Nacional da Tijuca


As primeiras obras públicas em azulejo elaboradas para homenagear personalidades foram criadas por Curzio Zani em agosto de 1928 e instaladas na Floresta da Tijuca. São duas rotundas de granito – uma em homenagem ao Barão de Taunay, a outra ao Barão de D’Escargnolle. A primeira, no Largo da Cascatinha, traz a imagem do homenageado, a reprodução de uma pintura com a Cachoeira da Cascatinha e sua residência, além de textos descritivos de sua biografia. Já a rotunda dedicada ao Barão d’Escargnolle reproduz um retrato dele e traz uma resumida biografia, além de um texto de agradecimento do presidente Washington Luis.


  
    


    


No século XX, Raymundo Ottoni de Castro Maya administrou a floresta, de 1943 a 1946, e fez ressurgir o interesse pelo parque, que havia ficado esquecido durante os primeiros anos da República. Em parceria com o arquiteto Vladimir Alves de Souza e com o paisagista Roberto Burle Marx, Castro Maya recuperou a floresta, transformando a natureza e a entrelaçando com arte e cultura.


Um painel se destaca na paisagem da Floresta da Tijuca. É o Mapa da Floresta, no Largo da Cascatinha. Assinado por R. Silva, foi inaugurado em 1946 e realizado pela Cerâmica Brasileira Pró Arte Bordalo Pinheiro.



No acesso ao Largo da Cascatinha, uma pequena fonte se destaca, no primeiro recanto. A pequena fonte tem a parede frontal revestida de azulejo.





Adiante, no Largo da Cascatinha, em frente ao Mapa descrito anteriormente, um grande banco de argamassa e bloco de pedra recebeu o mesmo tratamento.










Compondo o conjunto, próximo à Cascatinha Taunay, uma fonte conhecida como Fonte do Vaso recebeu o mesmo tratamento. A peça de ferro fundido que oferece água é proveniente da fundição francesa Val d’Osne e, provavelmente, foi inaugurada em 1946. Ela foi instalada no parque no século XIX e, na gestão de Castro Maya, foi remodelada, recebendo um painel de azulejaria em tons de azul e amarelo sobre fundo branco. Possui base de granito e duas torres em alvenaria ao lado da fonte.






Outra construção reformada foi a Capela Mayrink. Próxima a ela, foi instalada uma fonte e um banco revestidos de azulejos.




Várias fontes foram revestidas. A do Lago da Fada, criado por Burle Marx, e a conhecida como Fonte Midosi, que está situada no antigo Sítio do Midosi, provavelmente é originária da época da Fazenda do Major Archer. Foi reformulada na gestão de Castro Maya.


 Fonte do Lago das Fadas


 Fonte Midosi





Painel de Santa Bárbara

O painel de Santa Bárbara, de Djanira, foi concebido para lembrar um desabamento ocorrido durante os trabalhos de abertura do Túnel Santa Bárbara, que liga o Centro da cidade do Rio de Janeiro ao bairro de Laranjeiras. Foi inaugurado em 1964 e se situava numa capela localizada em uma gruta acima do túnel. Em 1984, devido às suas precárias condições, foi desmontado. Em 1990, ele foi restaurado pela Fundação Roberto Marinho e remontado no pátio interno do Museu Nacional de Belas Artes. 







Painel de São Roque 






No ano do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro, os habitantes criaram diversas obras comemorativas. No bairro de São Cristovão, na Rua Fonseca Teles, 143, numa murada de contenção da Rua Lopes Ferraz que dá acesso à Igreja que homenageia o santo, foi criado um painel em pastilha, executado pela Companhia Cerâmica Brasileira. Uma placa informa que a obra foi feita por “iniciativa do Conselho das Associações e Entidades de São Cristóvão”.

  





Painel da Rua General Urquiza


No final da rua, no Leblon, no entroncamento com a Rua Capitão César de Andrade, existe uma murada cercada por duas escadarias, entre as quais há um mural de azulejos. Parede tombada pelo município, o painel tem autoria e inauguração desconhecidas.









Na Avenida Visconde de Albuquerque

Com a obra de saneamento da lagoa Rodrigues de Freitas feita em 1922, foram implantadas comportas para regular a entrada e a saída de água do mar. Embelezando a construção, bancos e o guarda-corpo de concreto foram revestidos de azulejos decorados, com um desenho escalonado de padrão art déco.



No Parque da Cidade 

No início do século XX, a propriedade onde hoje se situa o parque foi adquirida pela família Guinle, que promoveu diversas obras de reforma, moldando a configuração atual do lugar. Seus azulejos decorados em art déco de inspiração marajoara são exclusivos do parque. De autoria de Fernando Correia Dias, foram instalados bancos, uma piscina natural e uma fonte.
                                                                   




No bairro de Inhoaiba


Em 13 de maio de 1958, de autoria de Miguel Pastor, foi inaugurada uma homenagem ao Paizinho Quincas, morador do bairro de Inhoaíba, que se tornou o Monumento ao Preto Velho.  Além da estátua, o monumento é composto de um obelisco principal, revestido de pastilhas de cerâmica amarela, e de um mural com representações da cultura negra em pastilhas pretas, vermelhas e brancas.




Marco aos Expedicionários 


Na Praça da Fé, em Bangu, e na Praça Ruan, em Santa Cruz, existem homenagens aos expedicionários da II Guerra Mundial, compostas por painéis de azulejo, destacando o símbolo da Força Expedicionária Brasileira e o mapa da presença brasileira na Itália. 




Painel de mosaico do  Edifício Andorinha 



Um grande painel em mosaico de Belmira de Almeida decorava a entrada do Edifício Andorinha, de 1934. Com o incêndio do prédio em 17 de fevereiro de 1986, a construção foi demolida, restando o painel. Em 1986, após delicada restauração, o painel se tornou um bem público, com sua exposição na Rua do Lavradio.





Biquinha da Ilha do Governador



Na Rua Almirante Alves Câmara Júnior, 602, conhecida como Praia da Bica, no Jardim Guanabara, existe uma fonte natural. No local, há uma piscina com um mural com painel de azulejos de repetição, de autoria desconhecida. Desse tanque, a água natural se direcionava para um chuveiro na área da praia. 




Painéis artísticos


                                                                      O ano de 1996 foi marcado pela instalação de grandes painéis na cidade do Rio de Janeiro. O primeiro, de Aluisio Carvão, foi instalado na Rua Mário Ribeiro, na Gávea, cobrindo a empenha de uma construção. Com 50 metros de extensão, o painel de azulejo é um trabalho concretista de estruturação geométrica, com o destaque para suas formas e cores. O segundo, da artista plástica Chica Granchi, foi instalado na Avenida Niemeyer, num muro de contenção em frente ao Hotel Sheraton. Esse trabalho em mosaico, de 25 metros quadrados, se desenvolve em formas orgânicas.                                                                             





Painel do frescoball


Trata-se da reprodução do desenho de Millôr Fernandes executado em azulejos em 1998 para  homenagear o frescobol, esporte idealizado por Millôr e criado no Rio de Janeiro. 






Mosaicos de Selaron 


Na Rua Joaquim Murtinho, na Lapa, o artista chileno Jorge Selaron iniciou, em 1994, por ocasião da Copa de Mundo de futebol daquele ano, a decoração com azulejos do local. Ele revestiu diversas escadarias, mas dedicou os últimos 20 anos àquela que permite o acesso ao Convento das Carmelitas, em Santa Teresa. O artista usou, inicialmente, as cores da bandeira brasileira, sobretudo verde, amarelo e azul. Posteriormente, dedicou seu trabalho à cor vermelha, com azulejos inteiros ou em cacos, muitos originários de países diversos, formando um trabalho de grande destaque na cidade.











Outros trabalhos de menor dimensão foram instalados nas proximidades, entre as arcadas do antigo aqueduto. Um deles destaca o nome “Arcos da Lapa” na cor amarela, em fundo preto. Outro, na arcada seguinte, traz a inscrição “Lapa - Rio de Janeiro” na cor branca, com fundo vermelho. 



 


Próximo a essas arcadas, Selaron revestiu postes de concreto com mosaicos de azulejos com pinturas de sua criação.

  




Painel dos Direitos Humanos 


Françoise Schein, de nacionalidade Belga, estudou arquitetura e desenvolveu trabalhos como artista visual, integrando uma visão de uma cidade a suas criações. Em 1999, iniciou no Rio de Janeiro projetos com a participação da população de favelas e produziu painéis de azulejos, dedicando as obras à Declaração dos Direitos Humanos.







Em 2001, instalou um painel num dos acessos à favela da Rocinha, na Estrada da Gávea. No mesmo ano, instalou na Avenida Niemeyer, no acesso à favela do Vidigal, um grande painel com o mapa da comunidade e texto de poetas como Vinicius de Moraes e Manoel de Barros.






Em dezembro de 2002, instalou na estação Siqueira Campos do metrô do Rio um painel de cerca de 200 metros quadrados, onde apresenta o mapa da praia de Copacabana juntamente com três personagens: uma senhora negra, representando a força dos trabalhadores brasileiros;  um jovem lutador de capoeira, simbolizando o povo e os costumes negros no Brasil; e uma menina que representa o futuro e a esperança de um povo que, desde sua colonização, e ainda no século XXI, é vitimado por grandes injustiças. Escritos à mão, constam  artigos dos Direitos Humanos e uma poesia de Arnaldo Antunes.
















Bancos de Mosaico 






Em 2001, na Avenida Atlântica, orla de Copacabana, a artista plástica Chica Granchi adornou três bancos de concreto com mosaicos de azulejos, que mostram desenhos coloridos e trazem o trabalho artístico ao equipamento urbano.


 
                      



Chafariz 


No bairro de Irajá, outro painel decorativo de azulejos foi inaugurado em 2006, na Praça dos Três Poderes, projeto do arquiteto Ronaldo Benevello.

O chafariz eleva a água como uma cortina na frente do painel de azulejos coloridos, que também promove, com jardineiras, o embelezamento do local. 





Escultura

O símbolo carioca da Garota de Ipanema foi criada por Romero Britto em 2011, numa escultura executada em concreto, revestida com pastilhas coloridas. A escultura original, de aço e pintura automotiva, é de 2006. Para o espaço público, ela foi reproduzida como um mosaico.




Painel viário


Um painel de referências históricas foi instalado na Rua Domingos Lopes, na parede de contenção do Mergulhão de Madureira. De autoria de Laura Taves, do Atelier Azulejaria, o painel foi inaugurado em 25 de maio de 2012. Na verdade, são dois painéis com 80 metros de comprimento cada, trazendo a inscrição “Eu Sambo, Eu Jongo e Eu Rio”. O conceito foi inspirado na musicalidade dos subúrbios cariocas. 




Banco de mosaico 



De autoria de Moema Branquinho, um banco de concreto foi inaugurado em 2013 na orla da lagoa Rodrigues de Freitas, próximo ao Corte de Cantagalo. O trabalho, inspirado nos mosaicos de Gaudí, foi executado com pastilhas de vidro Bisazza, italianas, e fragmentos de vidro, numa composição de formas e cores de pequenas peças.


Os mosaicos e a utilização do azulejo surgiram na Antiguidade e no período do Egito Antigo. Por serem muito duradouros, são chamados de pinturas para a eternidade. São utilizados para preencher alguns tipos de plano, como pisos e paredes.

No Rio de Janeiro essa arte é muito utilizada nos pisos de pedras portuguesas com belíssimas composições, criadas por diversos artistas. 




O símbolo maior da cidade, a escultura do Cristo Redentor, recebeu como revestimento final pequenos mosaicos formados de pedra-sabão. Para a confecção desses mosaicos, que eram colados sobre folhas de papel, existiu o trabalho voluntário de inúmeras senhoras da sociedade, que se reuniam na Paróquia Nossa Senhora da Glória. Uma vez confeccionados os mosaicos, eles eram enviados ao topo do Corcovado, para que os operários os aplicassem ao monumento.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Preservação das obras de arte francesas em ferro.


Chafariz Monumental do Monroe.

O entusiasmo do Imperador D Pedro II, pelas artes e tecnologia, com certeza, foi à  motivação para a ida de uma delegação a Exposição de Viena em 1873.  O Chafariz Monumental do Monroe foi o primeiro a ser oficialmente adquirido, e escolhido pessoalmente pelo Imperador na Europa. Contudo  só há registros referentes à sua instalação no Largo do Paço, em 1878.  A inauguração pôs fim ao tratamento urbanístico iniciado em 1872, junto à sede do império.


Após a Proclamação da República sérias questões na área de saúde pública e a busca de uma nova feição para a capital provocaram grandes intervenções que alteraram o perfil urbano da cidade. O auge delas ocorreu no Governo do Presidente Wilson (1902-1906) tendo à frente o Prefeito Pereira Passos, responsável por um verdadeiro “bota-abaixo” que demoliu dezenas residências, dando lugar a novos espaços e avenidas, como a Praça XV. 

Com parte do viaduto da Avenida Perimetral, que corta a Praça XV, inaugurado em 1960, discussões quanto à natureza urbanística e estética avaliam que a permanência do chafariz do Monroe em meio a outros monumentos – Chafariz colonial de Mestre Valentim, a Estátua de D. João VI e do General Osório – não é adequada., direcionou  a sua transferência  para a Praça da Bandeira, ação concretizada em 1962.                                                                                                                                          
                                                                               
A partir de 1975, a Cidade do Rio de Janeiro vive nova transformação urbana com a construção do Metrô. Ruas, avenidas, praças são interditadas e muitas edificações demolidas. A de maior repercussão foi à derrubada do Palácio do Monroe,  prédio do Senado Brasileiro. Para preencher o vazio deixado pela remoção do  palácio surge a proposta de transferir, mais uma vez, o Chafariz Monumental da Praça da Bandeira  para a Praça Manhatan Guandi, poupando-o das freqüentes enchentes. A desmontagem tem início em 1978

Ciente dos abalos causados a cada mudança de lugar não só deste, mas de outros monumentos da cidade, a prefeitura oficializou a preservação propondo o tombamento do Chafariz Monumental do Monroe, na Praça Mahatma Gandi, em 03 de fevereiro de 1988.  A iniciativa foi seguida pelo Governo Federal, fevereiro de 1990, em reconhecimento ao valor artístico e histórico dessa obra. 

Em 1999, mais uma vez em função do crescimento da cidade, a Prefeitura autorizou a construção de garagens subterrâneas sob as áreas públicas. A primeira concretizada foi justamente do espaço onde estava o Chafariz adquirido  por D Pedro II.   Assim novamente ocorre a desmontagem do chafariz que teve início em junho de 2001 na presença de representantes da Fundação Parques e Jardins, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Instituto Nacional de Tecnologia e dos restauradores franceses Marcela Munoz e Stéphane Pennec.

 
A desmontagem do Chafariz Monumental do Monroe e o seu entorno.

A desmontagem das peças de ferro que ocorreu em três dias.  Aos poucos, conforme iam sendo removida, cada uma das partes era transferida do canteiro de obras para o depósito municipal. Nesta etapa ficaram evidenciadas as corrosões dos parafusos, nos encaixe e o desgaste da pintura. Pode-se constatar também  o grau de corrosão interna, bem como a existência de rachaduras na bacia de acumulação e fendas na escultura  “ÁSIA”.
                                                             
O desmonte e a conseqüente avaliação do estado geral das peças permitiu à equipe dimensionar o nível de comprometimento e elaborar um projeto de restauração que contemplasse todo o equipamento. Foi realizado o mapeamento minucioso dos danos existentes em cada uma das 37 peças que o integram, em suas faces interna e externa.

 Detalhe do Chafariz do Monroe

 Transporte do ferro fundido


Em 2002, teve início, enfim, a  restauração após aprovação de todos os órgãos ligados à preservação do patrimônio histórico e artístico.  Todas as peças foram decapadas e aquelas com cimento tiveram a remoção manualmente.  Os moldes de borracha de silicone e gesso foram confeccionados no local para reconstituir as partes danificadas ou faltantes, fundidas com material semelhante ao original, em dimensões, aspecto e qualidade
                                                                             
Na recomposição da perna e dos pés das duas alegorias, seriamente danificadas por corrosão, teve preenchimento interno utilizou argamassa e cal sendo externamente reconstituído em ferro fundido.

Em função dos diversos agentes ambientais  a que se encontra submetida - corrosão atmosférica urbana-marinha, incidência de raios ultravioleta e imersão intercalada de água, foi utilizada tinta linha Internacional nas seguintes condições:  uma demão  de fundo com 125 micros, uma intermediária na mesma espessura em tom cinza claro e outra de acabamento de 75  perfazendo um total de 225 mícron.  Nesta fase foi contratado um inspetor de pintura industrial, para detalhar os procedimentos técnicos e acompanhar as etapas de limpeza e aplicação da tinta especificada.

A montagem do chafariz obedeceu aos mesmos critérios empregados na operação de desmontagem, segundo codificação estabelecida na planta topográfica e com cuidados redobrados para evitar danos na pintura.

Os parafusos foram substituídos por de aço carbono, e os rejuntes e encaixes foram preenchidos por resina epóxi. Após período de cura foram nivelados e pintados com a mesma tinta de acabamento. Todos os bicos foram refeitos em bronze. Com o chafariz já completamente remontado e suas lacunas preenchidas, uma última inspeção conferiu a estanquiedade.

 Montagem do Chafariz do Monroe

A reinauguração em 2004 marcou também o fim da restauração do Chafariz Monumental do Monroe, que no auge de sua belíssima e inspiradora forma, voltou a encantar todo os que transitam pelo Centro da Cidade do Rio Janeiro.



Conjunto  escultórico da Praça Tiradentes.


Este conjunto representando símbolos das virtudes das nações modernas – Fidelidade, Lealdade, União e Justiça  também foi selecionado por D. Pedro II, em 1889. As estátuas deveriam ornamentar a Praça da Constituição, onde em 1862, fora erguido o primeiro monumento do Brasil – uma homenagem do Imperador a seu pai, Pedro I.





                                                                                    
Durante 60 anos o conjunto permaneceu no local, sem que se saiba até hoje quais motivos levaram a transferir, na década de 50, as estátuas para o Campo de São Cristóvão, de onde saíram, em 1986, devido à construção de uma via expressa.

Em 1992, as belas estátuas de Mathurin Moreau foram reinstaladas, sem considerar suas “raízes históricas” e sem os pedestais originais, nos jardins do Parque  Noronha Santos,  no Centro.  Permaneceram relegadas ao ostracismo até 1999, quando foram novamente deslocadas, desta vez, para representar a arte em ferro fundido das Fonderies do Val D’Osne na exposição montada temporariamente em importante praça da zona sul carioca, para valorizar a importância dessas obras.  

Paralelamente, neste mesmo ano, a Prefeitura do Rio deu início a um novo programa  visando à restauração da Praça Tiradentes e o casario existente em seu entorno.  O projeto, financiado através do Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Ministério da Cultura, em convenio com a Secretaria Municipal das Culturas, incluía a restauração do Monumento à D.Pedro I e a volta dessas estátuas e seus pedestais originais. A aprovação do orçamento e liberação dos recursos, em 2002, deu início ao projeto.

O único pedestal remanescente, pertencente à “União” serviu de modelo para a execução das partes faltantes nos demais.  Com base no levantamento  métrico foi possível reconstituir partes deterioradas e desaparecidas, como as placas de identificação (Justiça, Fidelidade e Liberdade).

A remoção das diversas camadas de tintas que encobriam as esculturas recuperou  a riqueza da obra evidenciando o planejamento, os detalhes de cada figura e a perfeição de suas linhas em ferro fundido. Ao contrário do Chafariz do Monroe, as inúmeras camadas de tinta protegeram as estátuas, porém quase descaracterizaram o grupo. A única fenda encontrada e sem expansão de corrosão estava na figura da Justiça, e sugeria a possibilidade de uma bolha no processo de fundição.

O bom estado e a integridade das peças geraram apenas pequenas intervenções junto a depressões na superfície e, na fenda o preenchimento em massa epóxi. A pintura de acabamento foi feita com o conjunto já reinstalado na Praça.



Escultura da Sereia  do Campo de  Santana

Em 1873, o Imperador D Pedro II, após a contratação do  paisagista Auguste  Glaziou  iniciou as obras de paisagismo do Campo de Santana, parque inaugurado em 1880, no dia da nossa independência, sete de setembro. Segundo relatos da época, o Campo era cercado por artísticas grades de ferro, caminhos cobertos de areia fina, lindas árvores e arbustos que se espalhavam nos gramados, pequenos lagos e canais, atravessados por pontes “que fingem pedras”, ilhas ornadas por pedras e vegetação exótica, mesclada por belas figuras e repuxos d’água.  À exceção da redução de parte de sua área total, em 1945, em função da abertura da Avenida Presidente Vargas, o parque permanece o mesmo.

A figura que merece destaque é uma fonte, de autoria do artista Serres, que foi instalada por Glaziou para abastecer um dos lagos do parque.  Em  2006, a bela Sereia completou 126 anos de ininterrupto funcionamento.  Neste mesmo ano, uma limpeza do fundo  do lago exigiu a retirada da água permitindo a aproximação da escultura e a avaliação de seu real estado de conservação ante os efeitos da água. Os sinais de degradação eram grandes: corrosão acentuada e deformação dos dedos, rosto e do peixe.

  


A ausência de garantias de que após tratamento adequado o acompanhamento visual fosse suficiente para detectar e sanar futuros problemas sem risco de comprometer irreparavelmente a escultura determinou sua retirada e a preservação da Sereia original, após restauração, em local mais resguardado.
 
Para não comprometer a bucólica paisagem criada por Glaziou, foi instalada no local  uma réplica em bronze,  visando  à salvaguarda do Patrimônio Público.



Guarde essa

Conservação dos Monumentos públicos da Cidade do Rio de Janeiro

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Fundação Parques e Jardins, mantêm ininterruptamente desde o ano de 2000, contratos com firmas especializadas, para garantir o funcionamento das maquinas dos chafarizes  e a limpeza dos 690 Monumentos públicos da Cidade, contra  as pichações, ao acumulo de sujevidade, dos resíduos de animais, numa ação preventiva para a preservação. O programa conhecido como “tolerância zero “ 
representa um custo anual de cerca de  325 mil  dólares, que corresponde a 1/3 do orçamento previsto para a conservação das obras. Esse programa visa no menor tempo possível remover as pichações, inibindo assim as ações de vandalismo e da  depreciação das obras de arte.  Trata-se de uma ação continua que obriga a uma fiscalização constate, que tem alcançado resultados importantes na valorização e na divulgação da nossa Cidade.


Esse artigo foi publicado em Metais: restauração e conservação/ Carlos Bernard R.;organização Felipe Reigada, Laura Di Biasi, Leyla Mariath - Rio de Janeiro: In-Folio,2009.