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sábado, 15 de novembro de 2014

A Praça Onze, homenagem a Marcilio Dias.

Atualmente a Praça Onze é reconhecidamente um local que remete aos afrodescendentes e sua cultura. Muitos creditam o feito à inauguração do Monumento de Zumbi dos Palmares,1986. Muito antes porém, o berço do samba já acalentara outro jovem negro, de 27 anos, herói que defendeu o território brasileiro na Batalha do Riachuelo, um dos mais importantes episódios da Guerra do Paraguai: Marcílio Dias.

Onde tudo começou ...

Até o final do século XVII a região onde se situa a Praça Onze de Junho (Praça Onze) era desabitada. Após a chegada da Família Real Portuguesa, por volta de 1810, cabe ao Rei D. João iniciar a ocupação do que hoje conhecemos como Cidade Nova inaugurando o Largo do Rocio Pequeno.

Entretanto, a primeira benfeitoria no local só ocorre em 1842, com a implantação de um chafariz em cantaria, de estilo neoclássico, projeto de Grandjean de Montigny, para servir no abastecimento das casas e estabelecimentos do entorno.

Anos mais tarde, com o início da Guerra do Paraguai (1864/1870) e a onda de nacionalismo a partir da vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo (1865), o Imperador Pedro II rebatizou o Largo do Rocio Pequeno com a data do confronto principal que levou à morte, entre outros, o marinheiro Marcílio Dias: Praça Onze de Junho.

O relatório oficial sobre a batalha aponta Marcilio Dias como herói. Escrito pelo comandante do navio Parnahyba, capitão-tenente Aurélio Garcindo Fernandes de Sá (1829-1873), o relato destaca vários oficiais, sargentos, soldados e marinheiros que lutaram com bravura. Mas o destaque maior foi reservado a Marcílio Dias, que morreu enfrentando os inimigos na ponta da espada:

"O imperial marinheiro de 1ª classe Marcilio Dias, que tanto se distinguira nos ataques de Paissandu, imortalizou-se ainda nesse dia. Chefe do rodízio raiado, abandonou-o somente quando fomos abordados para sustentar braço a braço a luta do sabre com quatro paraguaios. Conseguiu matar dois, mas teve de sucumbir aos golpes dos outros dois. Seu corpo, crivado de horríveis cutiladas, foi por nós piedosamente recolhido, e só exalou o último suspiro ontem pelas 2 horas da tarde, havendo-se-lhe prestado os socorros de que se tornara a praça mais distinta da Parnahyba. Hoje, pelas 10 horas da manhã, foi sepultado com rigorosa formalidade no rio Paraná, por não termos embarcação própria para conduzir seu cadáver à terra".


A iniciativa de retratar Marcílio Dias aconteceu quase meio século depois de sua morte. Em 1902, o capitão-tenente Santos Porto, diretor da Revista Marítima Brasileira, convocou oficiais, marinheiros e soldados contemporâneos do marinheiro Dias para criar a imagem do herói, encomendado ao artista Décio Vilares. 

A partir do retrato, o escultor Luis Paes Leme criou o monumento, doado pelo Clube Naval à cidade para colocação na Praça Onze, concretizando a homenagem com a inauguração em 11 de junho de 1948, aniversário da batalha e da morte de Marcílio Dias. 

 1957


As razões que retiraram o busto da Praça Onze

A primeira remoção do monumento ocorreu em 1978 para as obras do Metro. A recolocação ocorreu no ano seguinte, 1979, até que em 1983, um acidente de carro avariou o pedestal e derrubou o busto. Recolhido pela 6ª Delegacia de Polícia, foi encaminhado ao Comando do 1° Distrito Naval, na Praça Mauá, e posteriormente entregue para o antigo Departamento de Parques e Jardins, onde os danos sofridos foram recuperados.


De volta à Praça Onze, foi reinstalado em 1986, meses antes da inauguração do Monumento à Zumbi dos Palmares, onde permaneceu até ser roubado em 1988 conforme registram o ofício 520-0-DGPJ, de 19 de dezembro de 1988, e as notícias dos jornais da época.

Recuperado, o  busto foi reinaugurado na Praça Barão de Ladário, em 1995, em frente ao I Distrito Naval, onde ficou até 2012. Sua remoção deveu-se à execução das obras de infraestrutura do projeto Porto Maravilha. Atualmente encontra-se sob a guarda da Marinha do Brasil, enquanto espera nova oportunidade de voltar à área pública. 
  

Biografia de Marcílio Dias

Marcilio Dias ingressou na Armada Imperial como recruta em 6 de julho de 1855, aos 16 anos de idade, e sentou praça no Corpo de Imperiais Marinheiros em 5 de agosto do mesmo ano.
Em 1856 embarcou na corveta Constituição e, logo após, no navio Tocantins. A 15 de maio de 1861 recebeu a sua primeira promoção, passando a Marinheiro de Terceira Classe. Foi promovido depois a Marinheiro de Segunda Classe em 11 de maio de 1862. No ano seguinte, já na Escola de Artilharia, recebeu a classificação de "Praça Distinta".
Em 1864 embarcou na corveta Parnaíba, em expedição ao Rio da Prata. No regresso, a 20 de julho do mesmo ano, foi promovido a Marinheiro de Primeira Classe (equivalente hoje a Cabo). 
Em 6 de dezembro de 1864, quando o Almirante Tamandaré iniciou o cerco a Paysandú durante a Campanha Oriental (1864-1865), Marcilio Dias teve o seu batismo de fogo, contra as forças do Uruguai. Durante o assalto final à Praça-forte de Paysandú, em 31 de dezembro de 1864, uma batalha que durou 52 horas, terminando em 2 de janeiro de 1865, Marcílio Dias foi um dos mais bravos combatentes, tendo ficado famoso o seu grito de 'vitória', quando subiu à torre da Igreja Matriz de Paysandú acenando para os seus companheiros com a bandeira do Brasil. 


Sagrou-se herói na Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865, no início da Guerra da Tríplice Aliança. Quando a corveta Parnaíba, onde chefiava o rodízio raiado de ré, foi abordada por três navios paraguaios, travou uma luta corpo a corpo contra quatro inimigos, armado de sabre, abatendo dois deles. Na luta teve seu braço decepado na defesa da bandeira do Brasil. 

Para o público externo à Marinha – intelectuais, artistas, integrantes de movimentos sociais –, João Cândido é o herói negro número um da corporação. Mas para o círculo militar,  Marcílio Dias, é o herói negro da Batalha do Riachuelo, portanto, quem recebeu inúmeras homenagens:
- dois meses após a sua morte, a Marinha Imperial incorporou um navio a vapor, adquirido na Grã-Bretanha para servir para o transporte de tropas, batizando-o de Marcílio Dias;
- em 1891, um torpedeiro de alto mar, construído em Londres, também foi batizado de Marcílio Dias;
- em 1910, o Almirante Alexandrino de Alencar criou a Medalha Marcílio Dias de Valor Militar";
- em 17 de março de 1919, foi fundado o Clube Náutico Marcilio Dias, na cidade de Itajaí em Santa Catarina;
- em 1922 foi fundado o Instituto Estadual de Educação  Marcílio Dias, na cidade de Torres/RS; 
- em 13 de dezembro de 1926, a Fundação do Amparo ao Marujo Brasileiro, recebeu o nome de Casa Marcílio Dias, embrião do atual Hospital Naval Marcílio Dias, no bairro Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro;
- em julho de 1940, o presidente Getúlio Vargas lançou ao mar o contra torpedeiro Marcilio Dias; 
Várias outras instituições, militares ou civis, em todo o Brasil, assim como ruas, praças, cidades e outros logradouros foram batizados com seu nome

  Busto no Hospital Naval Marcilio Dias, no bairro do Lins de Vasconcelos. Foto de Alexandre L. Rosa

 Busto na Estação do Metro Praça XI. Foto de 
 Renan F. Souza




domingo, 9 de novembro de 2014

As ruas em pé de moleque na Cidade do Rio de Janeiro



Os chamados pés-de-moleque, ou calçada portuguesa, são os antigos calçamentos construídos sobre terra batida com pedras irregulares ou de seixos rolados (pedras redondas de rio). As ruas do Rio de Janeiro eram de terra batida e, com o tempo, foram sendo pavimentadas com pedras, a fim de permitir a circulação em diversas situações climáticas, surgindo o piso de pé-de-moleque. Muitos calçamentos desse tipo foram cobertos por outros mais modernos, sendo hoje raros os que ainda permanecem na cidade, como resquícios esquecidos de uma época.
Um dos mais belos conjuntos de ruas em pé-de-moleque do Brasil está na cidade de Parati (RJ). Bem menos conhecidos, os conjuntos similares que existem na capital do Rio de Janeiro necessitam de uma proteção especial, a fim de preservar o registro de um passado. Numa tentativa de zelar por essa memória, foram relacionados os locais onde ainda é encontrada a autenticidade da pavimentação urbana carioca.


1. Ladeira da Misericórdia - Largo da Misericórdia 259, Centro


A primeira rua calçada no Rio de Janeiro foi essa ladeira, que se situava no agora extinto Morro do Castelo, cuja ocupação começou em 1567, quando o então governador Estácio de Sá transferiu cerca de 120 portugueses para o morro, como uma medida estratégica de segurança. No local, bastante íngreme, foi construído o Colégio dos Jesuítas e levantada uma muralha, para defesa do núcleo urbano. O acesso ao morro era feito apenas por uma rua em terra batida. Em 1617, o caminho foi calçado com pé-de-moleque. Em 1922, o  Morro do Castelo, berço da cidade, foi arrasado para aterro de vários pontos da metrópole, restando apenas um pedaço dessa ladeira como testemunho da formação do Rio.



2. Rua Silvino Montenegro, 53 acesso a Igreja Nossa Senhora da Saúde, Morro da Saúde.



Até o séc. XVII, a área urbanizada do Rio de Janeiro localizava-se entre o Morro do Castelo e a atual Rua da Alfândega. No morro da Saúde, de propriedade de Manuel da Costa Negreiros, foi construída uma capela entre os anos de 1742 e 1750. Com o passar do tempo, ela foi sendo ampliada até se apresentar como uma igreja em estilo rococó, a de Nossa Senhora da Saúde, que deu nome à localidade. O acesso foi todo calçado em pé-de-moleque, que resiste até hoje, apesar de ter sido construída uma escada lateral para facilitar a subida. 




3. Ponte dos Jesuítas - Santa Cruz

Para interligar a Fazenda de Santa Cruz à região de São Cristóvão, os jesuítas abriram uma estrada e construíram a Ponte dos Jesuítas, feita em 1752. Concebida pelo padre Pero Fernandes, a ponte tinha função de regularizar o fluxo das águas na baixada, promovendo a irrigação natural para manter os níveis de umidade dos pastos e evitar inundações. A ponte foi feita de pedras sobre o rio Guandu. Com seus 50m de extensão e 6m de largura, ela foi calçada em pé-de-moleque, para a passagem de tropeiros e pedestres.




4. Largo do Boticário - Cosme Velho

Até os anos 1920, o calçamento do Largo do Boticário era em pé-de-moleque. Durante seu mandato como prefeito (1926-1930), Prado Júnior mandou substituir o calçamento pelas atuais lajes de pedra, que lá se encontram até hoje. Contudo, no acesso ao largo, permanece o piso em pé-de-moleque. O largo começou a ser habitado em 1831, sendo que sua primeira residência foi erguida em 1846 e era de propriedade do marechal Joaquim Alberto de Souza Silveira, homem da corte do Imperador e padrinho de nascimento de Machado de Assis.


5. Largo Professor Silva Melo - Cosme Velho

O largo foi criado no início da década de 1970, na área remanescente do acesso ao túnel Rebouças, com canteiros e alamedas em pedra com um pequeno chafariz.




6. Ladeira do Cerro Corá,  Rua Cosme Velho 647 - Cosme Velho 




7. Estrada das Paineiras 484, acesso a Capela de São Silvestre - Cosme Velho




8. Rua Orlando Rangel, esquina com Barão de Guaratiba, 44 – Glória 



9. Rua Santo Alfredo, no Largo dos Neves, Santa Teresa

  

10. Ladeira dos Meirelles - Santa Tereza



11. Rua Miguel de Paiva a partir do numero 408 -  Santa Tereza





12. Rua do Paraiso - Santa Tereza 


  Foto Ivo Korytowski


13. Rua Paula Ramos a partir do numero 433, Santa Tereza

  Foto de  Raul Felix de Souza



14. Ladeira Souza Doca - altura Rua Santa Alexandrina 752


 Foto Ivo Korytowski



15. Travessa Xavier dos Passos, inicia na Estrada Dom Joaquim Mamede 199 - Santa Teresa


 foto de Raul Felix de Souza


16. Beco João Jose - Saúde



17. Rua Jogo da Bola, Morro da Conceição



18. Morro do Livramento


19.Travessa de São Carlos - Catumbi

 foto  de Raul Felix de Souza

20. Ladeira do Gusmão, próximo a Rua Senador Alencar 67 - São Cristovão

 foto de Raul Felix de Souza


Para finalizar, faço as seguintes considerações. Para muitos, asfalto é sinônimo de progresso e infraestrutura urbana; porém, possui as desvantagens de ter dilatação térmica, que causa fissuras e resulta em deformidades e buracos. Por deteriorar com mais frequência, esse tipo de pavimento tem que ser constantemente recapeado ou inteiramente refeito. Já a pavimentação em pedra, de pé-de-moleque ou de paralelos, tem as vantagens de apresentar alta durabilidade, facilitar o escoamento da água da chuva e ser ecologicamente correta, apesar de imprópria para a circulação intensa de veículos. Manter as ruas de pedra é uma questão de sensibilidade dos moradores que preservam a originalidade na cidade.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Azevedo Neto, o paisagista da Cidade

Ao completar 100 anos no mês passado (Agosto/2014), o bairro do Grajaú ganhou de presente a transformação de parte de suas ruas em Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC). A medida protege as características arquitetônicas e paisagísticas da área delimitada, além de promover o tombamento de ícones do bairro como a Igrea Nossa Senhora Perpétuo Socorro, a Capelinha da rua Grajaú, a Escola Municipal Duque de Caxias, o Batalhão do Corpo de Bombeiros da rua Marechal Jofre e a Praça Edmundo Rego. 

Este post trata da Praça, ou melhor, do paisagista que projetou a Praça Edmundo Rego e muitas outras áreas de lazer importantes em nossa Cidade entre os anos de 1930 a 1950.

José da Silva Azevedo Neto nasceu no Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1908.
Arquiteto e urbanista, era funcionário público   por quase duas décadas (1936 a 1950), da então Diretoria de Trabalhos, Matas e Jardins hoje Fundação Parques e Jardins. Nesta instituição projetou as mais importantes praças da época e grandes áreas verdes da cidade, como o Jardim de Alah, as Praças Saens Peña, Antero de Quental, Cardeal Arcoverde e Edmundo Rego, entre outras.


Boa parte de seus projetos já não guardam mais traçados ou elementos originais em virtude de sucessivas intervenções, efetuadas sem que houvesse o devido cuidado com características hoje reconhecidas e valorizadas pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico cultural carioca.

Azevedo Neto faleceu em 1962 e, em 2006, por ocasião da realização da II Mostra Internacional Rio Arquitetura-MIRA, a Prefeitura do Rio, por meio da Fundação Parques e Jardins,  juntamente com o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RJ) promoveram a exposição "Memória do Paisagismo Carioca - Arquiteto Azevedo Neto 1930/1950. 
A mostra teve como curadora Claudia Brack, além de Júlio Cherém e Ronaldo Benevello arquitetos da FPJ, responsáveis pela pesquisa nos arquivos municipais e pelo resgate, junto à família do paisagista de projetos,além das plantas dos arquivos da FPJ e outros documentos que retratam a obra de Azevedo Neto e as transformações que a Cidade sofreu na primeira metade do século XX.


                           


Neste post, algumas plantas e fotos encontradas na internet nos conduzem através do tempo pela cidade e algumas das obras mais significativas do paisagista.  A começar pela Praça Edmundo Rego, claro!

Praça Edmundo Rego 



Um dos primeiros projetos de Azevedo Neto, a praça foi inaugurada em fevereiro de 1935, no centro do bairro do Grajaú. De contorno circular, praça contava com um coreto central, dois chafarizes circulares e dois pergolados de concreto, com cinco pilares de cada lado.

inauguração da praça

          
                 projeto da praça                                        marco da inauguração

 1957

 1960

Nas transformações que ocorreram na praça, o primeiro elemento original a ser demolido foi o coreto de concreto, fonte de reclamações em função do abandono da construção que incluía um bar no primeiro piso.

No início dos anos 90, foi a vez dos chafarizes, que desativados, foram aterrados para a implantação de jardins em suas bacias. Contudo, em 1998 a Prefeitura optou por recuperar os dois chafarizes que voltaram a funcionar normalmente. 




Em 2002, uma nova reforma cobriu o piso de granito e blocos de concreto, demoliu e aterrou os chafarizes, mas manteve parte dos canteiros e os pergolados originais do projeto de Azevedo Neto, tombados provisoriamente, pelo recente Decreto n° 39102 de 19 de agosto de 2014.

 



Jardim de Alah


O traçado projetado para o Jardim de Alah concebido por Azevedo Neto baseou-se no modelo francês, de inspiração romântica e contemplativa, com canteiros harmoniosos, repartidos e preenchidos por esculturas, lagos e caramanchões.
A proposta, muito mais que o paisagismo para um jardim ou a urbanização de uma área de restinga na verdade, concluía o projeto do Prefeito Carlos Sampaio, de urbanização do canal destinado a renovar as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, tornando-as mais salubres além de reduzir a frequência de enchentes na região.

As obras foram concluídas em 1922 e o canal guarda ainda a pedra inaugural junto à pequena escada de acesso, próximo à Avenida Vieira Souto, onde estão registrados os nomes do Presidente Epitácio Pessoa, do Prefeito Carlos Sampaio e do engenheiro Saturnino de Brito.







Em 1936 a construção de uma segunda ponte sobre o canal do Jardim de Alah, entre as avenidas Visconde de Pirajá e Ataulfo de Paiva, permitiu a implantação total do projeto, inaugurado em 1938. O projeto, de forte potencial turístico, previa a navegação no canal por gôndolas em passeios até a Lagoa e para isso, deques para embarque e desembarque de pessoas.

                            

 


Em 2003, na administração do Prefeito Cesar Maia, o Jardim de Alah foi totalmente reformado pela Prefeitura do Rio. Sua reinauguração, em 20 de dezembro, contemplou a recuperação dos pergolados e treliças de madeira, cuidados e replantio de árvores, principalmente algodoeiros da praia. Os lagos foram reduzidos e recobertos por seixos rolados, as topiarias e folhagens de contorno suprimidas, priorizando as áreas gramadas.
A escultura "Proteção", de Hipollyte Peyrol, original da Praia de Botafogo e transferida por ocasião da inauguração do Jardim em 1937, bem como a obra " A Mulher e o Felino" foram preservadas no lugar.







 

Praça Antero de Quental

A praça foi inaugurada em 3 de julho de 1942. O investimento, à época, correspondeu a CR$ 219 500,00 (duzentos e dezenove mil e quinhentos cruzeiros).
De caráter contemplativo, o projeto de Azevedo Neto para o local incluía dois lagos e pérgolas de colunas em concreto revestidas e cobertas por madeira. De traçado regular, a praça possuía no centro um lago cercado por canteiros e alamedas em saibro que contornavam todo o perímetro da praça. Os pergolados uniam as alamedas entre os canteiros ajardinados.



anos 60






Em 1962 a praça passou pela primeira obra de reforma destinada à implantação de uma área para recreação infantil. Além do playground, com balanços, escorregas e gangorras, as calçadas do entorno foram pavimentadas mas o traçado geométrico foi mantido.



Com a execução do Projeto Rio Cidade,  em 1996, Praça Antero de Quental foi totalmente reformada, segundo projeto do arquiteto Luiz Eduardo Indio da Costa e do paisagista Fernando Chacel, que procurou manter o uso familiar e recreativo do espaço. Novos canteiros passaram a embelezar o entorno da praça e foram mantidas as áreas destinadas às crianças e à livre circulação. Junto à Avenida Athaulfo de Paiva foi construída uma grande pérgola em chapa metálica, lembrando um pórtico de entrada.









Praça Cardeal Arcoverde
Inaugurada em 22 de novembro de 1947 pelo Prefeito Mendes de Moraes, a praça apresentava um traçado orgânico, repletos de curvas e linhas sinuosas com um laguinho de plantas aquáticas no centro. Pequenas pontes com guarda corpo de ferro cruzavam o lago.


 Lago em 1965 foto cedida por Stela Elliot



Nos anos 60 a praça perdeu parte de sua área.  Na ocasião, o projeto original de Azevedo Neto foi aniquilado, dando lugar a uma nova concepção de formas retilíneas.

Em 1987, a praça foi fechada para expansão do Metrô e reaberta em 1994, com nova ordenação em função da estação ali instalada.


  




Praça General Osório

O primeiro ajardinamento da praça aconteceu em 1909 mas, em 1911 uma remodelação propiciou a implantação do Chafariz das Saracuras, oriundo da demolição do Convento da Ajuda.

foto Malta


Em 8 de maio de 1948 a praça foi reinaugurada pelo Prefeito Mendes de Moraes, com projeto de Azevedo Neto, que dotava a área com dois lagos de formas sinuosas nas extremidades da praça e mantinha, ao centro, o Chafariz das Saracuras como ornamento, porém seco, sem jorro de água. Extensos jardins contornavam a área com bancos de concreto ao redor. 

 anos 40

 1983


Em 1970 uma reforma na pavimentação da praça substituiu o saibro e as placas de concreto por pedras portuguesas nas áreas central e circundante.   E, em mais uma intervenção, em 1987, a praça perdeu os lagos laterais, mas ganhou um novo entorno para o chafariz que desde então voltou a verter água, como no Convento da Ajuda.
Contudo, logo depois, parte da praça foi cercada com tapumes para servir de depósito de material para a futura estação do Metrô. Com o atraso e a paralisação das obras, em 1994 a praça foi reaberta e passou por nova reforma em 2001 que instalou grades no seu entorno, recuperou os jardins e o funcionamento do chafariz.

Mais tarde, as obras do Metrô foram retomadas a estação da Praça Gal Osório inaugurada em 2009.



Praça Saens Pena



O ajardinamento da Praça Saens Pena data de 1910, durante a administração do Prefeito Bento Ribeiro. O projeto de Azevedo Neto para o local foi implantado em 1947 com inauguração em 22 de novembro na administração do Prefeito Mendes de Moraes.  Executado pela firma L. Quattroni, a proposta contemplava o espaço com um lago de concreto com repuxos e um jato, canteiros e piso de pedra portuguesa decorada, além de garantir a permanência do coreto.




 anos 60

Em 1977, com a implantação do Metrô, a Praça Saens Peña passou por uma grande intervenção que, entre outras mudanças, removeu o coreto transferindo-o para do para a Praça Catolé do Rocha, em Vigário Geral.

Somente em 1982 a praça reformada foi reinaugurada junto com a estação do Metrô, mas com canteiros alterados e a construção de grandes caixas para a ventilação da estação subterrânea. Do projeto original de Azevedo Neto, apenas o chafariz com o seu jorro, permanece no local.

 1982



Praça Nobel

Construída em 1940, a Praça Nobel é outro importante projeto de Azevedo Neto. De traçado retilíneo e canteiros centrais, a praça predominantemente contemplativa apresentava como elemento decorativo um belo pergolado revestido de pedra no trecho lateral, aproveitando a elevação do terreno. 
Apesar das transformações sofridas nos últimos anos para implantação de equipamentos voltados para novos usos, o pergolado de outrora sobrevive como um pequeno recanto contemplativo do projeto original.








Avenida Edson Passos


A implantação de pequenos recantos ajardinados ao longo da Av. Edson Passos, executados pela Sociedade Brasileira de Urbanismo, ocorreu por volta de 1941 tendo custado à época, a importância de CR$ 59 800,00 (cinquenta e nove mil e oitocentos  mil cruzeiros.  O plantio, iniciado de 25 de julho de 1942 e concluído em 24 de janeiro de 1943, coube ao Departamento de Parques da Prefeitura, hoje Fundação Parques e Jardins

Dentre os muitos jardins criados pelo paisagista, os do Alto da Boa Vista são que se mantém mais íntegros, com destaque para os lagos e as obras de arte que os integram.




 

 



 1947


 1957



Avenida Vieira Souto e Delfim Moreira

Nos anos 40, por iniciativa do prefeito Mendes de Moraes, o projeto criado por de Azevedo Neto, foi implantado ao longo das avenidas, recuperando a vegetação de restinga. A proposta incluía o plantio de coqueiros e alguns quiosques de sapê. Além de embelezar, o tratamento paisagístico da margem de areia da praia, tinha como objetivo diminuir o carreamento de areia para as avenidas.

 Foto Gilberto Negreiros


Praça Piaçava

A praça ficava situada nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Fonte da Saudade. Construída na década de 40 (1940-49) acabou desaparecendo com as obras para o acesso ao Túnel Rebouças.